Execução dos trabalhos de fiscalização tributária.

A atuação da Administração Tributária deve obediência aos princípios da legalidade, impessoalidade, publicidade, razoabilidade, interesse público, eficiência e motivação dos atos administrativos. Em relação aos trabalhos de fiscalização, a Lei Complementar nº 939/03, em seu art. 9º, estabelece que os memos devem ser precedidos de emissão de ordem de fiscalização, notificação ou outro ato administrativo autorizando a execução de quaisquer procedimentos fiscais.

Desconto composto racional x desconto composto comercial.

No desconto composto racional a taxa de juros é aplicada sobre o valor atual (VA) do título. Esse modo de desconto torna a operação mais justa pois os encargos são aplicados sobre o valor líquido. No desconto composto comercial os encargos são aplicados sobre o valor futuro (VF) da operação. Neste caso, há um prejuízo para o tomador, pois está pagando juros inclusive sobre o valor do desconto (D), que de fato não está ficando consigo.

Taxa Mínima de Atratividade

Utilização da Taxa Mínima de Atratividade (TMA) e Valor Presente Líquido (VPL) como fatores de decisão entre dois projetos de investimento.

Contabilização de dividendos de participações societárias.

Os lucros ou dividendos recebidos por pessoa jurídica, em decorrência de participação societária avaliada pelo custo de aquisição, podem ser contabilizados de duas formas, dependendo do prazo decorrido desde aquisição do investimento.

ISS-BH - Edital do Concurso para Auditor Fiscal e Auditor Técnico

EDITAL 04/2011 Concurso Público para provimento dos cargos públicos efetivos de Auditor Fiscal de Tributos Municipais e Auditor Técnico de Tributos Municipais da Carreira dos Servidores da Área da Tributação do Quadro Geral de Pessoal da Administração Direta do Poder Executivo do Município de Belo Horizonte.

ANUNCIO ANTES DA POSTAGEM

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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Processo de formação de palavras

1. Com base numa análise cuidadosa do texto, observe os itens a seguir:

I. É correto afirmar que adstringe (L.15) e adstritos (L.66) têm a mesma raiz.
II. O elemento ex- de exaurir, em exauri-los (L.54), não tem o mesmo sentido que o de exausto.
III. Os vocábulos economia (L.25) e futurologia (L.114) são formados pelo mesmo processo.

Assinale:
(A) se somente os itens II e III estiverem corretos.
(B) se somente os itens I e II estiverem corretos.
(C) se todos os itens estiverem corretos.
(D) se nenhum item estiver correto.
(E) se somente os itens I e III estiverem corretos.

Comentários:

Item I.

A raiz é o elemento originário e irredutível em que se concentra a significação das palavras, consideradas do ângulo histórico. É ela que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma família etimológica.

Texto de apoio: Lei de Responsabilidade Fiscal, correlação entre metas e riscos fiscais e o impacto dos déficits públicos para as gerações futuras




É certo que o advento da Lei Complementar nº 101, de

4 de maio de 2000, representou um avanço significativo

nas relações entre o Estado fiscal e o cidadão. Mais que

isso, ao enfatizar a necessidade da accountability, atribuiu
5
caráter de essencialidade à gestão das finanças públicas na

conduta racional do Estado moderno, reforçando a idéia de

uma ética do interesse público, voltada para o regramento

fiscal como meio para o melhor desempenho das funções

constitucionais do Estado.
10
(...)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Colocação pronominal e crase

Questão baseada no texto: Maquiavel sempre vivo.

8. Deduz-se da leitura do texto que seu autor julga Maquiavel ter prestado um serviço não apenas aos poderosos governantes, mas também aqueles que têm interesse em analisar a exaustão as práticas políticas.


O texto acima resultará correto caso se substitua


I. Deduz-se da leitura por Se deduz à leitura.

II. julga Maquiavel ter prestado por julga ter prestado Maquiavel.

III. aqueles por àqueles.

IV. a exaustão por à exaustão.


Impõem-se as substituições constantes em

(A) I, II, III e IV.
(B) I, II e III, somente.
(C)) II, III e IV, somente.
(D) I, III e IV, somente.
(E) II e III, somente.


Comentários:


I. Deduz-se da leitura por Se deduz à leitura.
Errado. Não se inicia a frase com pronome se.


II. julga Maquiavel ter prestado por julga ter prestado Maquiavel.
Certo. A alteração proposta não provoca erro.

Observe que o sujeito de "julga" continua sendo "o autor". E o que ele julga? Ter prestado Maquiavel (ou Maquiavel ter prestado) um serviço a...


III. aqueles por àqueles.

Certo. Susbstituição necessária por causa da ocorrência de crase.


Observação: Crase não é acento, mas sim a superposição de dois “as”. O primeiro “a” é uma preposição, exigida por um verbo (regência verbal) ou por um nome (regência nominal). O segundo “a” pode ser um artigo definido ou um pronome demonstrativo: a, aquilo, aquele, aquela. O acento que marca esta união de “as” é chamado de grave.


No texto, o autor julga Maquiavel ter prestado um serviço a:
- os poderosos governantes (a + os = aos);
- aqueles que tem interesse (a + aqueles = àqueles).


IV. a exaustão por à exaustão.
Certo. “Analisar à exaustão as práticas...” tem o significado de analisar as práticas (objeto direto) até a exaustão.

Se substituírmos o termo “exaustão” por uma palavra masculina, “extremo”, por exemplo, veremos surgir a preposição “a”.


Analisar ao extremo as práticas ... (encontro de a + o = ao).



Resposta Letra C

Interpretação de texto: "Maquiavel sempre vivo"

           Voltado para os problemas políticos específicos que viviam os pequenos principados italianos, quase todos submetidos a princípios tirânicos, Nicolau Maquiavel (1469-1527) escreveu O Príncipe, obra considerada basilar da ciência política. Não espanta que esse pequeno tratado, concebido na Renascença, venha até hoje servindo de inspiração para políticos de todas as inclinações e ideologias. Injustamente reconhecido como um texto de caráter maligno e cínico – qualidades que perduram no emprego do adjetivo maquiavélico – O Príncipe é, na verdade, um conjunto de argutas análises do exercício concreto do poder. Tem, também, um caráter prescritivo: dedicado ao jovem príncipe Lorenzo de Medicis, reúne inúmeros aconselhamentos pragmáticos, apresentados como lições de sabedoria política.

           Uma das contribuições desse tratado foi o deslocamento do conceito de virtude, que Maquiavel passa a compreender não mais em seu sentido moral, mas como discernimento político, qualidade indispensável para um bom governante. Vale dizer: o pensador italiano evitou confundir Religião e Estado; separou essas duas instâncias e dedicou-se a uma análise inteiramente objetiva dos mecanismos práticos que tanto permitem chegar ao poder como mantê-lo.

            O leitor de Maquiavel acaba encontrando nesse texto admirável uma série de análises e revelações que permitem desmascarar os habituais embustes das ideologias mais abstratas, dessas que se apegam a supostos princípios de validade universal para melhor encobrirem práticas de proveito particular. Ou seja: além de ser útil aos “príncipes”, essa obra continua sendo valiosa para todo aquele que queira se inteirar da lógica que comanda as ações de quem deseja alcançar o poder e nele se manter.

(Dorival Santino)

1. Atente para as seguintes afirmações:

I. O autor do texto considera que a principal contribuição de Maquiavel foi adequar o pragmatismo político de seu tratado aos exigentes princípios morais de sua época.

II. O fato de Maquiavel preocupar-se com a análise objetiva e concreta do exercício do poder dota seu tratado de um caráter pedagógico que se tem mostrado resistente ao tempo.

III. Em plena Renascença, Maquiavel soube ver que o plano religioso e o plano das ações políticas tecem entre si íntimas relações, sendo por isso necessário analisá-las a fundo.

Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em

(A) I.
(B)) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

Comentários:

Item I.
Incorreto. O autor do texto não faz comentário sobre a principal contribuição de Maquiavel. Ele apenas cita que uma das contribuições do tratado foi o deslocamento do conceito de virtude, que maquiavel passa a compreender não mais em seu sentido moral, mas como discernimento político.

Item II.
Correto. O autor comenta que, além de ser útil aos “príncipes”, a obra continua sendo valiosa para todo aquele que queira se inteirar da lógica que comanda as ações de quem deseja alcançar e se manter no poder.

Item III.
Incorreto. Maquiavel separou Religião e Estado. Ele se dedicou a uma análise inteiramente objetiva dos mecanismos práticos que tanto permitem chegar ao poder como mantê-lo.


Resposta: Letra B

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Concordância verbal - a maioria

06 - “A maioria dessas pesquisas aponta para um aumento...”; no caso desse segmento do texto, há uma dupla possibilidade de concordância, como no seguinte trecho:


(A) As pesquisas sobre o tema privilegiaram a estética.
(B) Um milhão de pesquisas já mostrou essa verdade.
(C) Bandos de pesquisadores trabalhavam sobre o tema.
(D) Os telefones celulares são um problema para a segurança.
(E) Milhares de telefones celulares são empregados no Brasil.

Comentários:

Quando o sujeito for um substantivo coletivo, como, por exemplo, bando, multidão, matilha, arquipélago, trança, cacho, etc., ou uma palavra no singular que indique diversos elementos, como, por exemplo, maioria, minoria, pequena parte, grande parte, metade, porção, etc., poderão ocorrer três circunstâncias:

A) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de qualquer restritivo: Nesse caso, o verbo ficará no singular, concordando com o coletivo, que é singular.


Ex. A multidão invadiu o campo após o jogo.
O bando sobrevoou a cidade.
A maioria está contra as medidas do governo.


B) O coletivo funciona como sujeito, acompanhado de restritivo no plural: Nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.


Ex. A multidão de torcedores invadiu / invadiram o campo após o jogo.
O bando de pássaros sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
A maioria dos cidadãos está / estão contra as medidas do governo.


C) O coletivo funciona como sujeito, sem acompanhamento de restritivo, e se encontra distante do verbo: Nesse caso, o verbo tanto poderá ficar no singular, quanto no plural.


Ex. A multidão, após o jogo, invadiu / invadiram o campo.
O bando, ontem à noite, sobrevoou / sobrevoaram a cidade.
A maioria, hoje em dia, está / estão contra as medidas do governo.


Resposta: Letra B
Fonte: http://www.brasilescola.com/gramatica/concordancia-verbal.htm

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Interpretação de texto

1 A despeito da retórica que chama atenção para avanços obtidos pelo país no plano econômico, é mais do que evidente que o Brasil ainda se enquadra no elenco dos
4 chamados países em desenvolvimento, com índices verdadeiramente escandalosos em termos de qualidade de vida, saúde e educação, com significativa parcela da população
7 alijada do que os estudiosos costumam designar como mínimo existencial para uma vida digna.Ressalte-se que a doutrina diverge quando se trata de
10 estabelecer a acepção do termo democracia. Apesar das divergências acerca de conceitos, teses ou doutrinas, háconsenso de que a democracia constitui a melhor forma de
13 governo de um Estado, visto que impede atos de violência e de intolerância, buscando a integração e a inclusão. Cumpre acrescentar que, no enfrentamento do desafio de inclusão
16 social, emerge cristalina a necessidade de fortalecer as instituições democráticas.
Nessa linha de pensamento em que se procura reverter
19 um processo de descrença, a defensoria pública, erigida na Constituição Federal de 1988 (CF) à condição de instituição essencial à justiça, precisa preencher relevante espaço no
22 compromisso constitucional de redução das desigualdades, com promoção do integral acesso à justiça. Assim definida, cabe-lhe não só a assistência judiciária, pois pouco, ou nada, valem
25 direitos formalmente reconhecidos, sem que se concretizem na vida das pessoas e dos grupos sociais. Aquilo de que se precisa, de uma vez por todas, compreende igualmente um conjunto de
28 atividades extrajudiciais e de informação, extremamente imprescindível em um país de analfabetos e semianalfabetos, com o intuito de proporcionar aos necessitados consciência de
31 seus direitos, fazendo-os se verem como partes integrantes desse país, ou seja, como cidadãos.

Tatiana de Carvalho Camilher. O papel da defensoria pública para a inclusão social rumo à concretização do estado democrático de direito. Internet: (com adaptações).

Com base nas informações apresentadas no texto, assinale a opção correta.

A) Constitui o escopo da defensoria pública o acesso integral à justiça, o que se traduz na elevação do indivíduo analfabeto e semianalfabeto à condição de cidadão.

B) Como em todos os países em desenvolvimento, a população brasileira não tem acesso à informação.

C) Regimes democráticos de governo estorvam condutas denotadoras de coação e de preconceito.

D) No Brasil, a CF é elemento garantidor suficiente para asseverar o tratamento igualitário dos cidadãos pelo Estado.

E) O Brasil não constitui, de fato, um governo de Estado democrático, uma vez que necessita de ações promotoras da redução do índice de desigualdades sociais.

Comentários:

De acordo com o texto, regimes democráticos estorvam (impedem, prejudicam) condutas denotadoras, isto é, que exprimem coação e preconceito. Isto pode ser verificado na passagem que diz que "... Há consenso de que a democracia constitui a melhor forma de governo de um Estado, visto que impede atos de violência e de intolerância, buscando a integração e a inclusão". A maior dificuldade ficou por conta da utilização de verbos pouco usuais.

Em relação a alternativa A, o texto indica que em um país de analfabetos e semianalfabetos, cabe também à DPU um conjunto de atividades extrajudiciais e de informação, mas não diz que acesso integral à justiça faz-se com a elevação daquelas pessoas à condição de cidadão.

As alternativas B, D e E trazem informações que não foram apresentadas no texto.

No caso da primeira, não há, no texto, indicação de que as pessoas de todos os países em desenvolvimento não têm acesso a informação.

Na segunda, poderia até se discutir se a CF é elemento garantidor SUFICIENTE para asseverar o tratamento igualitário dos cidadãos pelo Estado, mas o que importa para a resolução da questão é que essa informação não faz parte do texto.

Podemos até inferir que a Constituição, ao fazer da DPU "instituição essencial à justiça" busca oferecer tratamento igualitário a todos os cidadãos. Mas o próprio texto informa que a DPU ainda "precisa preencher relevante espaço no compromisso constitucional de redução das desigualdades. Isto é, além de ser uma inferência, não há certeza de a CF seja suficiente para garantir o tratamento igualitário entre todos os cidadãos.

Na terceira, o texto não informa que o Brasil não constitua um estado democrático.

Resposta: Letra C

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Questão de concordância verbal

6. As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas na frase:


a) Apenas se submetem às condições de baixa remuneração e falta de garantias trabalhistas quem não tem acesso às vantagens de um emprego formal.

b) Incluem-se entre as tantas vantagens que proporcionam o trabalho assalariado a pensão para os que se acidentam e o seguro para os que perdem o emprego.

c) Não deveria causar espanto a ninguém, com um crescimento econômico anual em torno de 7%, os índices de redução da informalidade, no ciclo da industrialização nacional.

d) Acredita-se serem possíveis que as atividades laborais do mercado informal possam, num certo momento, propiciar a transição para o emprego assalariado formal.

e) Caso não os afetasse a redução do desenvolvimento econômico, nos últimos anos, seriam outros os índices de ocupação de postos de trabalho formal no Brasil.



Resolução:


Alternativa A:
O erro está na flexão do verbo submeter, que tem como sujeito "quem".
Apenas se submete às condições de baixa remuneração e falta de garantias trabalhistas quem não tem acesso às vantagens de um emprego formal.

Na ordem direta, ficaria:

Quem não tem acesso .... se submete às condições ....


Alternativa B:
O erro está na flexão do verbo proporcionar, que tem como sujeito "o trabalho".
Incluem-se entre as tantas vantagens que proporciona o trabalho assalariado a pensão para os que se acidentam e o seguro para os que perdem o emprego.


Na ordem direta, ficaria:
A pensão ... e o seguro ... incluem-se entre as vantagens que o trabalho assalariado proporciona.


Alternativa C:
O erro está na flexão do verbo dever, cujo sujeito composto é "os índices".
Não deveriam causar espanto a ninguém, com um crescimento econômico anual em torno de 7%, os índices de redução da informalidade, no ciclo da industrialização nacional.


Na ordem direta, ficaria:
Os índices ... não deveriam causar espanto a ninguém.


Alternativa D:
Acredita-se ser possível que as atividades laborais do mercado informal possam, num certo momento, propiciar a transição para o emprego assalariado formal.


Qual é o sujeito de "acredita-se ser possível"?
Trata-se do sujeito oracional "que as atividades laborais do mercado informal possam propiciar a transição para o emprego assalariado formal". 
Nesse caso, o verbo não pode ser flexionado.


Alternativa E:
Tudo certo. Essa é a resposta.


Na ordem direta, para melhor visualização.
Os índices de ocupação de postos do trabalho formal no Brasil seriam outros, caso a redução do desenvolvimento econômico não os afetasse.
Caso a redução não afetasse quem? Eles, os índices. Por isso a colocação pronominal está correta.


Resposta: Letra E

sábado, 22 de agosto de 2009

Regencia verbal - ICMS-SP/2009/FCC - 10

10. ... aquele monarca distante e invisível cujo poder Cortés representava.

Considerado do ponto de vista estritamente gramatical, o segmento acima mantém a correção se a forma verbal representava for substituída por

a) contestava.

b) se curvava.

c) desconfiava.

d) fazia frente.

e) se apoiava.

Comentários:

Para a solução da questao é necessário saber apenas qual verbo tem a mesma regência da forma verbal representava, independentemente do sentido.

O verbo representar é VTD. Por isso, a forma verbal representava pode ser substituída corretamente apenas por contestava.

... aquele monarca distante e invisível cujo poder Cortés contestava.

Para as demais formas verbais, há a necessidade de se colocar uma preposição antes de "cujo".

A cujo poder Cortés se curvava (Curvar-se a ...).
DE cujo poder Cortés desconfiava (Desconfiar de ...).
A cujo poder Cortés fazia frente (Fazer frente a ...).
EM cujo poder Cortés se apoiava (Apoiar-se em ...).

Resposta: Letra A

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Interpretação de texto - ANAC-Analista Administrativo/2009/CESPE - Questões 1 a 3

Piracicaba, 1924

  1. A cidade paulista, um dos berços da República Velha e
  2. terra do austero Prudente de Moraes, acorda alvoroçada. Um
  3. pequenino avião dá voltas sobre ela, várias vezes, a baixa altura.
  4. As janelas das casas abrem-se e algumas cabeças surgem,
  5. nervosas, procurando sobre os telhados o responsável pela
  6. quebra da monotonia dos céus piracicabanos.
  7. Lá em cima, o biplano, indiferente, prossegue em suas
  8. evoluções; embaixo, as pessoas detêm-se nas calçadas, as
  9. mães recolhem os filhos que brincam nos jardins e uma tropa de mulas
  10. atreladas em frente ao Hotel Central agita-se, nervosa. Os
  11. animais relincham e corcoveiam, assustados com o barulho do
  12. biplano. Às vezes, ele passa tão baixo sobre a superfície das
  13. águas do rio Piracicaba que suas rodas parecem roçar a
  14. ondulação do rio. Do cockpit, o piloto pode ser visto, usando
  15. óculos protetores e um cachecol volátil que flutua ao sabor do vento.
  16. O responsável pela algazarra dessa manhã em
  17. Piracicaba era um alsaciano de nome Fritz Roesles. Ele havia
  18. sido piloto na Primeira Guerra Mundial e mudara-se para o
  19. Brasil em 1920, radicando-se primeiro em Olímpia – SP e
  20. depois na própria capital paulista. Fritz casou-se com Teresa
  21. de Marzo, a primeira mulher a obter brevê no Brasil.
  22. Ele percorria o interior paulista vendendo voos panorâmicos.
  23. Era um dos pioneiros nessa atividade, que tornaria
  24. a aviação acessível ao grande público e motivaria muitos a
  25. seguirem a carreira da aviação. Fritz fazia decolar o biplano
  26. com o passageiro, dava uma volta sobre a cidade, recebia o
  27. dinheiro e chamava o próximo da fila.
  28. Seu Joãozinho foi um dos passageiros que aguardou na
  29. fila a vez de voar. Com dois metros de altura e pesando pouco
  30. mais de 100 quilos, acomodou-se no cockpit traseiro do biplano.
  31. Ia viver um dos momentos mais inesquecíveis de sua vida.
  32. Uma aventura que ele não se cansaria de contar, enquanto
  33. vivesse, a todos os filhos e netos.


João Ricardo Penteado. Voar: histórias da aviação e do paraquedismo civil brasileiro. São Paulo: Editora SENAC, 2001 (com adaptações).


Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue os itens de 1 a 3.


1 O primeiro período do texto apresenta características de Piracicaba, entre as quais está o fato de ser a cidade onde foi proclamada a República Velha.


2 Não haveria prejuízo para os sentidos do texto, caso o trecho “o responsável pela quebra da monotonia dos céus piracicabanos” (R.5-6) fosse reescrito da seguinte forma: o autor da interrupção do marasmo nos céus de Piracicaba.


3 No quarto parágrafo do texto, pelo emprego das formas verbais “percorria”, “fazia decolar”, “dava”, “recebia”, “chamava”, infere-se que tais ações foram realizadas por Fritz esporadicamente.


A) C E C
b) E C E
c) C C E
d) E E C
e) C C E


Comentários:


1. Não uma caracterização da cidade no primeiro período do texto. Apenas diz que Piracicaba foi "um dos berços da República Velha". Entender que a cidade é o local onde foi proclamada a República Velha seria uma extrapolação do conteúdo do texto. Aliás, não há proclamação de república velha, esta definição é apenas uma separação histórica. Mas esta é uma uma informação que está fora do texto e não deveria ser considerada para a resolução. Item errado.

2. Dizer que Fritz quebrou a monotonia dos céus piracicabanos tem o mesmo sentido de dizer que ele foi o autor da interrupção do marasmo nos céus da cidade. Item certo.

3. Todos os verbos estão conjugados no pretérito imperfeito do indicativo. Usa-se esse tempo verbal para, entre outros, expressar fatos ocorridos no passado, com duração por um certo período de tempo (Ex.: quando eu criança, costumava nadar nos rios da minha cidade). Além disso, o próprio contexto indica que os voos com o biplano eram uma atividade comercial de Fritz ("percorria o interior paulista vendendo voos panorâmicos"). Logo, não se pode dizer que a atividade era esporádica. Item errado.

Resposta: Letra B

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Concordância verbal e nominal - ICMS-SP/2006/FCC - Questão 20

20. A frase em que a concordância está em conformidade com o padrão culto é:

a) os advogados reclamaram da indecisão do depoente, sem perceber que as perguntas que a ele eram dirigidas lhes parecia obscura, difíceis de serem compreendidas.

b) era intricada a associação de idéias do promotor e o apelo que fazia aos jurados, o que, consideradas as circunstãncias, os conduziram a uma decisão questionável.

c) é sempre falível, a meu ver, os juízos que se fundamentam mais na verve do orador que no conteúdo de seu discurso, mesmo quando os ouvintes lhe neguem aquele predicado.

d) suponho que devem existir sérias razões para ele ter-se comportado assim: todas as questões que lhe eram postas ele julgava irrelevantes.

e) o relatório, de cujo dados discordou-se , foi rejeitado imediatamente, tendo sido sugerido, em caráter de urgência, a sua plena revisão ou até mesmo sua substituição.

Comentários:

Alternativa A
As perguntas pareciam obscuras.
A concordância está incorreta. Para corrigi-la, o texto deveria ser reescrito da seguinte forma: "os advogados reclamaram da indecisão do depoente, sem perceber que as perguntas que a ele eram dirigidas lhes pareciam obscuras, difíceis de serem compreendidas".

Alternativa B
O erro está na concordância entre o verbo conduzir e seu sujeito "que", que justifica a concordância no singular.
A próclise no pronome "os" antes do verbo conduzir está correta, justificada pela atração com o pronome "que".
A concordância em "era intricada a associação..." foi feita na 3ª pessoa do singular, concordando com o primeiro núcleo do sujeito, que está mais próximo. Também ficaria correto se o verbo fosse conjugado na 3ª pessoa do plural, para concordar com o sujeito composto.

Alternativa C
Os juízos são falíveis.
A concordância deve ser feita na 3ª pessoa do plural, para o texto ficar correto.
São sempre falíveis, a meu ver, os juízos que se fundamentam mais na verve do orador que no conteúdo de seu discurso, mesmo quando os ouvintes lhe neguem aquele predicado.

Alternativa D
Parafrasendo o texto, teríamos: "sérias razões devem existir, suponho, para ele ter-se comportado assim..."
O uso do pronome "lhe" está correto em razão do pronome reto "ele" (as questões era postas "a ele").

Alternativa E
Foi sugerida a revisão do relatório, de cujos dados discordou-se.
Está errada a concordância verbal em "sugeridos", com relação a "revisão", núcleo do sujeito. Também está errada a concordância em "cujo dados"; a concordância correta seria "cujos dados".

Resposta: Letra D

sábado, 18 de julho de 2009

Uso da vírgula - ICMS-SP/2006/FCC - Questão 40

40. Considere as seguintes frases:

I - O autor lamenta a situação dos jovens de hoje, que vivem o tempo como uma espécie de presente contínuo.

II - Ao final do século XIX, ocorreu o esquecimento dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas.

III - Preservemos a memória do passado, cujas experiências encerram lições ainda vivas.

A eliminação da vírgula acarretará alteração de sentido APENAS para o que está em

a) I
b) II
c) III
d) I e II
e) I e III

Comentários:

Esse tipo de questão trata, geralmente, do uso ou não da vírgula junto ao pronome relativo para indicar a oração seguinte como adjetiva restritiva (sem a vírgula) ou explicativa (com a vírgula), alterando o sentido do texto.

No item I o uso da vírgula indica que o autor lamenta a situação de TODOS os jovens de hoje. Caso a vírgula fosse retirada a oração seguinte mudaria de sentido, indicando uma restrição, isto é, o autor lamentaria a situação de apenas uma parte dos jovens: daqueles que vivem o tempo como uma espécie de presente contínuo.

No item II a vírgula separa um adjunto adverbial deslocado para o início do texto. Nesse caso, o uso da vírgula tem cunho estilístico para dar ênfase ao adjunto adverbial de tempo. Sua retirada não alteraria o sentido do texto, apenas retiraria a expressividade dada ao adjunto adverbial.

No item III, assim como no item I, a vírgula está colocada junto ao pronome relativo indicando que a oração seguinte trata-se de uma explicação da expressão "memórias do passado". Sem a vírgula, entenderíamos que nem todas as memórias deveriam ser preservadas, mas apenas aquelas cujas experiências encerram licões ainda vivas.

Resposta: Letra E

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Interpretação de texto - ICMS-SP/2006/FCC - Questão 8

8. Essa formação não é possível sem se oferecer ao espírito uma imagem do homem tal como ele deve ser.

A alternativa que traduz corretamente a idéia expressa no segmento destacado acima, considerado o contexto, é:

a) não prescinde da propositura ao espírito de uma imagem ideal de homem

b) só é possível porque uma imagem do homem desejado como tal é oferecida ao espírito

c) implica a impossibilidade de se oferecer ao espírito uma idéia do homem sonhado

d) exige a isenção da oferta ao espírito de uma representação ideal de homem

e) impossibilita-se quando não se oferece ao espírito uma reprodução do homem como tal

Comentários:

Traduzindo a idéia expressa no segmento destacado, teremos:

Essa formação só é possível se for oferecido ao espírito uma imagem do homem tal como ele, o homem, deve ser.

Trabalhando mais a idéia expressa no texto, poderemos dizer que é necessário que seja oferecido ao espírito uma imagem correta, ideal, do homem.

Na primeira alternativa, temos a expressão "não prescinde". Essa expressão é mais fácil de ser processada pelo cérebro, pelo menos na minha opinião, ser for substituída pelos seus sinônimos: "imprescindível" ou "necessita".

Transcrevendo o texto da primeira alternativa, fica: necessita da propositura ao espírito de uma imagem ideal de homem ou, necessita de ser proposto ao espírito uma imagem ideal de homem, o que torna correta a alternativa A.

As alternativas B e C fazem referência ao "homem desejado" e "homem sonhado", que não guardam relação com a idéia do texto proposto.

A conteúdo da alternativa D se coloca em oposição ao está escrito no período analisado ao dizer que "exige a isenção de oferta ao espírito".

Por último, na alternativa E está errada a equiparação de "reprodução do homem como tal" com "imagem do homem como tal", que quer dizer "imagem ideal do homem".

Resposta: Alternativa A

sábado, 11 de julho de 2009

Relações de causa e efeito - ICMS-SP/2006/FCC - Questão 06

A educação é uma função tão natural e universal da comunidade humana que, pela própria evidência, leva muito tempo a atingir a plena consciência daqueles que a recebem e praticam, sendo, por isso, relativamente tardio o seu primeiro vestígio na tradição literária. O seu conteúdo, aproximadamente o mesmo em todos os povos, é ao mesmo tempo moral e prático. Também entre os Gregos foi assim. Reveste, em parte, a forma de mandamentos, como honrar os deuses, honrar pai e mãe, respeitar os estrangeiros; consiste, por outro lado, numa série de preceitos sobre a moralidade externa e em regras de prudência para a vida, transmitidas oralmente pelos séculos afora; e apresenta-se ainda como comunicação de conhecimentos e aptidões profissionais e cujo conjunto, na medida em que é transmissível, os Gregos dera o nome de techné. Os preceitos elementares do procedimento correto para com os deuses, os pais e os estranhos foram mais tarde incorporados à lei escrita dos Estados. E o rico tesouro da sabedoria popular, mesclado de regras primitivas de conduta e preceitos de prudência enraizados em superstições populares, chegava pela primeira vez à luz do dia, através de uma antiquíssima tradição oral, na poesia rural gnômica de Hesíodo. As regras das artes e ofícios resistiam naturalmente, em virtude da sua própria natureza, à exposição escrita dos seus segredos, como esclarece, no que se refere à profissão média, a coleção dos escritos hipocráticos.

Da educação, neste sentido, distingue-se a formação do Homem por meio da criação de um tipo ideal intimamente coerente e claramente definido. Essa formação não pe possível sem se oferecer ao espírito uma imagem do homem tal como ele deve ser. A utilidade lhe é indiferente ou, pelo menos, não essencial. O que é fundamental nela é o kalón, isto é, a beleza, no sentido normativo da imagem desejada, do ideal. A formação manifesta-se na forma integral do Homem, na sua conduta e comportamento exterior e na sua atitude interior. Nem uma nem outra nasceram do acaso, mas são antes produtos de uma disciplina consciente. Já Platão a comparou ao adestramento de cães de raça. A princípio, esse adestramento limitava-se a uma reduzida classe social, a nobreza

Obs: gnômico = sentencioso

(Adaptado de Werner Jaeger, Paidéia: a formação do homem grego. Trad. Artur M. Parreira, 4.ed., São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 23-24)

6. No texto, os segmento "As regras das artes e ofícios resistiam naturalmente" e "a sua própria natureza" estão em relação, respectivamente, de

a) fato e hipótese

b) consequência e causa

c) condição e conclusão

d) fato e conclusão

e) hipótese e consequência

Comentários:

Há várias formas de se encontrarem e de se perceberem as relações de causa e efeito nos textos. Elas são promovidas por:

  1. Conjunções subordinativas causais: porque, já que, visto que, uma vez que, visto como, como (=já que, visto que), porquanto, dado que, por isso que, que (= porque), pois etc.

  2. Conjunções subordinativas consecutivas: que (precedido de um termo intensivo “tão, tal, tanto, tamanho”), de sorte que, de modo que, de forma que, de maneira que, a tal ponto que.

  3. Verbos da área semântica de causa e efeito: são verbos que, quando usados, promovem relações de causa e efeito entre os termos / idéias. Podemos citar, dentre eles: causar, gerar, provocar, ocasionar, acarretar, produzir, desencadear, motivar, engendrar, suscitar, decorrer, derivar, provir, promanar, resultar.

  4. Palavras pertencentes à área semântica de causa e efeito – assim como os verbos, há palavras que promovem relações de causa e efeito. Podemos citar: motivo, razão, explicação, pretexto, mola, fonte, mãe, raiz, berço, base, fundamento, alicerce, germe, embrião, semente, gênese, produtor, causador

  5. Algumas preposições e locuções: de, por, por causa de, em virtude de, devido a, em conseqüência de, por motivo de, por falta de etc

  6. Preposição “POR” seguida de um verbo no infinitivo:

  7. Orações causais ou consecutivas reduzidas:

Em "As regras das artes e ofícios resistiam naturalmente, em virtude da sua própria natureza, à exposição escrita dos seus segredos, como esclarece, no que se refere à profissão média, a coleção dos escritos hipocráticos", percebe-se nexo semântico de:

- Consequência "As regras das artes e ofícios resistiam naturalmente"; e

- Causa - "em virtude da sua própria natureza".

A relação de causa e efeito está explicitada pela presença da expressão "em virtude", uma das locuções que promovem esse tipo de relação, conforme visto no item "e", acima.

Exemplos de textos com relações de causa e efeito podem ser encontradas em: http://www.euvoupassar.com.br/visao/artigos/completa.php?id=105.

Resposta: Letra B

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